Milícias se enfrentam na Líbia em meio a tensões políticas entre governos rivais


Os combates entre milícias rivais na capital líbia, Trípoli, que cessaram na sexta-feira, deixaram uma situação política confusa, já que dois governos rivais continuam a se enfrentar e os líderes políticos flexionam seus músculos para controlar mais território e determinar quem é mais poderoso.

A mídia líbia afirmou que uma milícia leal ao primeiro-ministro Abdul Hamid Dbeibeh ganhou terreno na luta por uma milícia rival, que apoia o conselho presidencial em Trípoli. Não ficou imediatamente claro o que desencadeou os combates que causaram mais de uma dúzia de vítimas civis.

O conselho presidencial de três homens ordenou que uma unidade do exército líbio, a Brigada 444, fosse implantada em partes de Trípoli depois que os combates diminuíram. Resta saber qual força política tem agora a vantagem. Veículos incendiados podiam ser vistos em várias ruas e algumas residências também pareciam danificadas.

Os combates eclodiram assim que a Líbia começou a aumentar a produção de petróleo após uma paralisação no início deste ano. O novo chefe da Companhia Nacional de Petróleo da Líbia indicou em entrevista coletiva na sexta-feira que o país estava produzindo agora 650.000 barris de petróleo por dia. A VOA não pôde confirmar o número de forma independente.

A Missão de Apoio das Nações Unidas na Líbia (UNSMIL) pediu uma investigação sobre o que motivou os confrontos em Trípoli e insistiu que haja justiça para as vítimas e suas famílias. A enviada especial da ONU, Stephanie Williams, foi mostrada em reunião com o líder do Conselho Presidencial, Khaled al Meshri.

A analista da Líbia Aya Burweila disse à VOA que há movimentos em andamento entre o governo de Dbeibeh e o Exército Nacional da Líbia (LNA) – que controla a maior parte do país – “para unificar grupos armados no oeste do país com o exército nacional”.

Burweila continuou dizendo que as milícias em Trípoli se recusaram a se integrar ao exército nacional desde 2012, com a situação de segurança se deteriorando acentuadamente em 2014, quando “milícias nominalmente islâmicas invadiram Trípoli de Misrata”. O Exército Nacional da Líbia, ela observa, “lançou uma ofensiva fracassada em 2019 para remover as milícias que se instalaram na capital.

O analista da Líbia, Faraj Zeidan, disse à mídia árabe que “a principal razão para a luta foram as diferenças entre o conselho presidencial e o primeiro-ministro da Unidade Nacional, Dbeibeh”.

Dbeibeh, disse ele, “está tentando enfraquecer as forças que apoiam o conselho presidencial”.

“A luta”, afirma ele, “acabará por piorar, porque as milícias que controlam a situação no terreno são mais poderosas do que a lógica do Estado”.

A TV Al Arabiya, de propriedade saudita, informou na noite de sábado que novos combates eclodiram entre milícias rivais na cidade costeira de Misrata. A VOA não pôde confirmar o relatório de forma independente.



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